quarta-feira, setembro 20, 2006

Beja, aqui vamos nós!


VIII PALAVRAS ANDARILHAS
21, 22 e 23 de Setembro
Biblioteca Municipal de Beja José Saramago

“Quando se fala em promoção da leitura e narração oral, são muitos os que de imediato associam estes dois temas às "Palavras Andarilhas" e a "Beja - a Cidade dos Contos".

As razões de tal associação encontram-se no trabalho regular e continuado que a Biblioteca Municipal de Beja José Saramago desenvolve desde 1994 e, nos últimos oito anos, também num encontro que reúne em Beja, durante três dias, mais de 250 mediadores de leitura e narradores de todo o país e 50 especialistas nacionais e estrangeiros - todos andarilhos, como as palavras!
Promovida pela Câmara Municipal de Beja e pela Associação para a Defesa do Património da Região de Beja e contando desde a primeira edição com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, esta iniciativa que este ano acontecerá dia 21, 22 e 23 de Setembro, é um momento importante na reflexão sobre as muitas formas de mediar a relação com o livro, possibilitando a troca de experiências e saberes entre técnicos nacionais e estrangeiros, que em torno de conferências e mais de 15 oficinas, trabalham a leitura em voz alta, a escrita criativa, a ilustração, a narração e a animação à leitura.
(…)
"Palavras Andarilhas" é uma festa de contos e palavras, livros e leituras escutadas por centenas de crianças, jovens e adultos, num mundo em que a palavra cada vez é mais urgente, para construir afectos e reparar emoções e por tudo isto um bom pretexto para nestes dias, deixar o televisor desligado e vir até à biblioteca, ver, ouvir e quem sabe contar! “
Já temos as malas prontas, na bagagem não esquecemos os cadernos para anotar o que ali se vai aprender com tanta gente interessante, desde o Nuno Júdice à Beatriz Quintela, passando pelo Jorge Serafim e tantos outros oradores, contadores e estudiosos desta arte de contar e encantar! Levamos também na mala um conto de um amigo cheio de magia e muita vontade de ouvir, aprender, contar e sonhar!
Até para a semana!

terça-feira, setembro 19, 2006

Livros da Lua Nova - As escolhas do Pedro



A pequena sereia e o grande nariz

Duas variações no mesmo tema, este conto infantil e esta peça de teatro são dois belíssimos exemplos do muito que o romantismo nos pode oferecer.

De um lado a sereia, ser de mil encantos, vivendo num mundo mágico e feliz, que se enamora perdidamente por um príncipe – por quem, senão por um príncipe?

Do outro, um Cyrano de proeminente apêndice nasal, feio por fora, belo por dentro, um homem por trás de um nariz, que de nariz no ar arranha os céus, no seu amor por sua prima Roxane.

Em ambos os casos tanto o príncipe como Roxane, enamorados de um amor falso: falso o amor do príncipe, porque se dirige a uma miragem – a da sereia que o salvou do afogamento mas que ele não reconhece na pequena sereia, falso o amor de Roxane, porque começa por uma miragem, uma imagem uma aparência, e se desenvolve para uma pessoa dentro de outra, para uma pessoa por trás de outra , para Cyrano, de nariz escondido atrás de Christian.

Em ambos os casos o sacrifício e a generosidade dos amantes: a sereia entrega a sua belíssima voz em pagamento por uma poção que lhe dará pernas; Cyrano entrega a sua voz, os versos da sua voz, ao seu próprio rival. A sereia que troca a sua cauda de peixe por uns pés que a torturam “como se andasse sobre facas” – esta imagem sempre teve para mim uma fortíssima impressão. Cyrano, que defende o amor de Roxane, tanto espiritualmente, evitando as trapalhadas de Christian como fisicamente, defendendo-o em campo de batalha. A sereia que renuncia à vida, ao não matar o príncipe, depois deste se casar com outra princesa, e, mergulhando, dissolve-se em espuma do mar. Cyrano que renuncia a Roxane, ao calar a verdade sobre Christian perante a sua morte.

Ao mesmo tempo, há algumas diferenças curiosas entre os dois, que me parecem marcar uma forte diferença de género: a sereia tenta alcançar o seu príncipe enquanto Cyrano é a este nível uma personagem bem mais complexa: se por um lado podemos dizer que Cyrano vive através de Christian a sua paixão, é também patente que os seus interessantes são divergentes, rivalizam, com os daquele. Talvez Cyrano ponha a vontade e o sentimento de Roxane à frente dos seus próprios embora também seja verdade que ele vê em Christian uma oportunidade, a oportunidade de ultrapassar o seu próprio nariz. Dir-se-ia que a sereia procura sempre aproximar-se daquele que ama enquanto Cyrano se mantém à distância, sem estar distante. Não é por acaso que ali está uma sereia e não um tritão e que aqui está um cavalheiro e não uma dama.

Os paradigmas de sacrifício por amor parecem ter na cultura europeia alguma referência cristã: “Não há maior amor que dar a vida por aqueles que se ama” é uma frase de Cristo. Porém, esta base comum não é completamente transposta. Porque enquanto ali o “dar a vida” tem por objecto a transcendência do próprio eu, tem um imanência universal, aqui, nos românticos, a vida é dada em função daquela referência privada, daquela relação, daquele sentimento: esgota-se nele. Neste sentido, há também alguma diferença entre a sereia e Cyrano: ela morre para salvar o príncipe, enquanto o sacrifício de Cyrano – o silêncio em vida – é uma renúncia que transcende o drama que a origina.

Pedro Gama Vieira
  • O Pedro é um amigo destas caminhadas de folhas feitas.
    Com ele já descobrimos livros, autores, histórias, poemas e contos, alguns dos quais escritos por ele, que nos ajudam a sonhar e a ver para além do que as palavras, à primeira vista, nos mostram.

    O nosso bem aja pelos livros que aqui nos deixas no Baú dos Contos da Lua Nova!


FICHA TÉCNICA:
Cyrano de Bergerac - Edmond Rostand
http://en.wikipedia.org/wiki/Edmond_Rostand
O DVD da peça recriada em filme, de Jean-Paul Rappeneau, com Gérard Depardieu:
http://clubemydvd.com/film.php?id=000921
O livro (apenas no Brasil que por cá, infelizmente, não há):
http://www.planetanews.com/autor/EDMOND%20ROSTAND

A pequena sereia - Hans Christian Adersen
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hans_Christian_Andersen
http://purl.pt/768/1/index.html
O livro de contos originais:
http://www.circuloleitores.pt/cl/artigo.asp?cod_artigo=113057

segunda-feira, setembro 18, 2006

Livros da Lua Nova - Ainda nada? de Christian Voltz


"De manhã, bem cedo o Senhor Luís abriu um buraco ENORME na terra(...)"

Imaginem que plantam uma semente na terra e que têm tanta, tanta, mas tanta vontade de a ver crescer que não querem perder nem um bocadinho do seu crescimento...

Assim estava o senhor Luís, cheinho de vontade de ver a sua semente creser e virar flor! Mas de tanto esperar a sua paciência começou a faltar e a cada manhã que a ela se abeirava maior era o seu desânimo: "Ainda nada?"

Uma história para ensinar a esperar que o tempo corra e com ele as mudanças aconteçam. Para miúdos e graúdos, para contar, inventar, acrescentar, brincar, enfim... para ler, de preferência em voz alta, e bem acompanhado!

De Christian Voltz com ilustrações bem ao estilo da Kalandraka.
Mais um livro da LUA NOVA!