Que melhor que uma tarde na praia, neste começo inesperado (ou melhor, muito esperado, quase desesperado) de Verão, para nos relembrar da magia dos dias de infância?! Aquela magia autêntica e genuína que, sem se saber bem como, sai da boca dos miúdos e enfeita o dia-a-dia de mil cores, por mais sem graça que a nós, os adultos, nos pareça...

Anteontem dei por aberta a época balnear da família, em pleno jogo da Selecção com "1 a 0" no marcador, peguei nos mais velhos (os filhos, claro está) e rumámos à praia. Um verdadeiro paraíso de areia e água salgada, quase deserto, onde até o mar nos recebeu com uma calma maré vasa onde apenas algumas mães (já que os pais ficaram em casa, ou no café da esquina a torcer pelas Quinas) e os respectivos rebentos se passeavam de pele ainda branca ao sol de fim de tarde.
Que inúteis e exageradas as nossas preocupações diárias parecem perante a inglória, mas corajosa tarefa de salvar um castelo de areia das ferozes garras do mar!
A tarde passou ao som de alguns gritos e aplausos dos fervorosos adeptos nas esplanadas circundantes e acabou com um confuso banho familiar para limpar areias e sal.
Esta é a minha história da primeira ida à praia deste ano. Interessante?! Duvido... Engraçada?! Nem por isso... Divertida?! Não me parece... Apenas simpática e verdadeira.


Conto-vos agora a mesma história, relatada por um verdadeiro Contador de Histórias de palmo e meio que, sem saber bem como, tem o dom de ver muito para "além do arco-íris":
"Ontem fui à praia com a mãe, o mar estava muito mansinho e nós fomos tomar uns banhos nas ondas pequenas. Depois fomos à procura de caranguejos nas rochas e encontrámos um sem casca, ele estava a dormir e eu atirei-o para o mar para ele ir para casa. Depois encontrámos um polvo no meio das rochas, ele só tinha 6 braços. Como estava escuro pedimos a uma senhora muito simpática que lá estava uma lanterna para vermos melhor e então é que vimos que era um polvo bebé e os outros braços ainda estavam a nascer, tinha umas ventosas minúsculas do tamanho do dedinho do pé.
Depois houve uns senhores muito malucos que começaram a gritar e a buzinar nos carros, eles estavam contentes porque o Sporting, não, o Portugal ganhou no futebol.
Antes de irmos para casa fomos comer um gelado na esplanada que tem aqueles que a mãe gosta, o meu gelado era especial: de gelo que nunca se derrete e por isso eu não consegui acabar."
Gonçalo - 5 anos

A verdade é que, de tal maneira nos levamos a sério, que deixamos de investir na imaginação (ou será que nos esquecemos de a ouvir?!). E é pena, sem magia a vida torna-se cinzenta, desengraçada ou até triste e nós tornamo-nos pessoas cinzentas, desengraçadas ou até tristes... Faz-nos falta um farol...
Um abraço da LUA NOVA!