quinta-feira, janeiro 15, 2009

Um "P" muito especial...

Hoje, em conversa com uns amigos, relembrei-me de um livro pelo qual me apaixonei à primeira vista, "pê de pai" com texto da Isabel Martins e ilustrações do Bernardo Carvalho, do Planeta Tangerina.



O que, ao olhar desatento, pode parecer um livro "ligth" é, na verdade, um sem número de possibilidades de leitura, todas elas tão completas e complexas quanto se quiser. É um livro delicioso, que nos leva a espreitar todas as formas que tem o "P" de um pai. E tem a enorme vantagem de poder (e dever) ser lido pelos que normalmente achamos que não o sabem fazer.


As imagens são o ponto de partida para uma viagem às histórias e peripécias de cada filho, criança ou adulto (é que todos os pais também já foram filhos). Daí se pode partir para uma "maratona de contos verídicos" onde cada um partilha os "pês" que fazem/fizeram o seu pai.

Além de "aconselhado pela Casa da Leitura", tem uma Menção Especial do 'Prémio Nacional de Ilustração' da DGLB e uma Menção Honrosa do 'Best Book Design for all over the world 2008' da Book Art Foundation.
Se até há pouco tempo esteve esgotado, (felizmente) hoje já se encontra em todas (as boas) livrarias.

É, sem sombra de dúvida, um livro com um "L" da LUA NOVA!

Isabel Martins e Bernardo Carvalho

segunda-feira, janeiro 12, 2009

A "face" da LUA NOVA...






Os CONTOS DA LUA NOVA existem desde meados de 2005. "Foi numa noite de Luar que nos juntámos... foi numa noite de Lua Nova que nos formámos como Grupo de Contadores."

De lá até aqui foi "um passo de um anão" mas, ao olhar para trás, parece um caminho longo onde a persistência e o sonho foram o motor e a força que fizeram possível esta caminhada.

Como o Sol gira em volta da Terra e as Luas se seguem em quartos infinitos, também nós evoluímos e crescemos. Ganhámos novas cores e com elas asas que nos fazem voar mais alto. Juntámos outras vozes e com elas encontrámos um outro canto. Trouxemos mais amigos e com eles criámos um novo conto!

Somos leitores, contadores, brincadores e saltimbancos de palavras. Gostamos de poesia e semeamos magia em forma de contos. Jogamos com as palavras, que enchemos de sonhos, para depois soltar ao vento.


A "face" da LUA NOVA:






Liliana Lima

"Conto-me" em narrativas várias sempre com o fio condutor do desenvolvimento e crescimento pessoal e de quem me ouve/lê/vê/sente. Busco a comunhão de sentidos na diversidade de significados que essas narrativas assumem perante cada um de nós, ouvintes e contadores.

"Vivo" os contos como quem abre janelas para novos quadros de sentido. Uso-os para abrir espaços em que seja possível o projectar de novas narrativas no 'mundo seguro' da imaginação e criatividade. Depois, embrulho-os na vida do dia-a-dia e, uso a sua magia para pintar arco-íris no céu, que, se a maré estiver de feição e o vento soprar de nascente, se espalham em palavras colorindo outras vidas, multiplicando-se, renascendo e reflorescendo em novas histórias que (quiçá) abrirão novas janelas...

Quando for grande quero ser "brincadora", por enquanto, sou uma sonhadora que brinca com as palavras, joga com os seus sons e baralha os seus significados para que novos contos nasçam dentro de cada história que conto, e com eles o mundo se torne menos confuso, assustador e sempre, sempre mais livre.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Outro para os (mais) crescidos

Hoje trazemos, no nosso Baú de Contos, "A ovelha negra e outras fábulas", de Augusto Monterroso. É um livro de contos, ou melhor de micro-contos como o autor lhes chama, cheios de muito humor e alguma sátira (ou vice-versa), que se lêem de uma assentada.

Não é literatura juvenil (se é que isso existe) mas, por ser irreverente, é uma leitura normalmente bem recebida pelos adolescentes.

Os personagens são todos animais (ou não seriam fábulas) numa sátira à velha (e à moderna) humanidade, e vão desde o "macaco que queria ser escritor satírico", ao "mocho que queria salvar o mundo", ou ao "cão que queria ser humano", entre muitos outros.

Para deixar um cheirinho, transcrevo um dos mais pequenos micro-contos:

"O burro e a flauta"

"Abandonada no campo estava desde há muito tempo uma flauta que ninguém tocava, até que um dia um burro que passeava por ali soprou fortemente nela fazendo-a produzir o som mais doce da sua vida, quer dizer, da vida do burro e da flauta.

Incapazes de compreenderem o que tinha acontecido, já que a racionalidade não era o seu forte e ambos acreditavam na racionalidade, separaram-se à pressa, envergonhados do melhor que um e outro tinham feito durante as suas tristes existências." (pág. 79)


Decididamente, um livro da LUA NOVA!




Angelus Novus, Editora
2008