sexta-feira, junho 13, 2008

A Imaginação ao Poder ou O Verdadeiro Contador de Histórias


Que melhor que uma tarde na praia, neste começo inesperado (ou melhor, muito esperado, quase desesperado) de Verão, para nos relembrar da magia dos dias de infância?! Aquela magia autêntica e genuína que, sem se saber bem como, sai da boca dos miúdos e enfeita o dia-a-dia de mil cores, por mais sem graça que a nós, os adultos, nos pareça...



Anteontem dei por aberta a época balnear da família, em pleno jogo da Selecção com "1 a 0" no marcador, peguei nos mais velhos (os filhos, claro está) e rumámos à praia. Um verdadeiro paraíso de areia e água salgada, quase deserto, onde até o mar nos recebeu com uma calma maré vasa onde apenas algumas mães (já que os pais ficaram em casa, ou no café da esquina a torcer pelas Quinas) e os respectivos rebentos se passeavam de pele ainda branca ao sol de fim de tarde.


Que inúteis e exageradas as nossas preocupações diárias parecem perante a inglória, mas corajosa tarefa de salvar um castelo de areia das ferozes garras do mar!


A tarde passou ao som de alguns gritos e aplausos dos fervorosos adeptos nas esplanadas circundantes e acabou com um confuso banho familiar para limpar areias e sal.


Esta é a minha história da primeira ida à praia deste ano. Interessante?! Duvido... Engraçada?! Nem por isso... Divertida?! Não me parece... Apenas simpática e verdadeira.














Conto-vos agora a mesma história, relatada por um verdadeiro Contador de Histórias de palmo e meio que, sem saber bem como, tem o dom de ver muito para "além do arco-íris":




"Ontem fui à praia com a mãe, o mar estava muito mansinho e nós fomos tomar uns banhos nas ondas pequenas. Depois fomos à procura de caranguejos nas rochas e encontrámos um sem casca, ele estava a dormir e eu atirei-o para o mar para ele ir para casa. Depois encontrámos um polvo no meio das rochas, ele só tinha 6 braços. Como estava escuro pedimos a uma senhora muito simpática que lá estava uma lanterna para vermos melhor e então é que vimos que era um polvo bebé e os outros braços ainda estavam a nascer, tinha umas ventosas minúsculas do tamanho do dedinho do pé.


Depois houve uns senhores muito malucos que começaram a gritar e a buzinar nos carros, eles estavam contentes porque o Sporting, não, o Portugal ganhou no futebol.


Antes de irmos para casa fomos comer um gelado na esplanada que tem aqueles que a mãe gosta, o meu gelado era especial: de gelo que nunca se derrete e por isso eu não consegui acabar."


Gonçalo - 5 anos





A verdade é que, de tal maneira nos levamos a sério, que deixamos de investir na imaginação (ou será que nos esquecemos de a ouvir?!). E é pena, sem magia a vida torna-se cinzenta, desengraçada ou até triste e nós tornamo-nos pessoas cinzentas, desengraçadas ou até tristes... Faz-nos falta um farol...


Um abraço da LUA NOVA!

1 comentário:

Carlos Reis disse...

O Gonçalo parece-me ser um contador de histórias, de assuntos, de intimidades e de prazeres e emoções muito genial, verdadeiro, sonhador.
(Sem desfazer na contadora de histórias, em absoluto).
Mas é. Se calhar já fomos todos, um outro dia, numa outra praia, num outro tempo.
Carlos Reis